Cura da homossexualidade: Casos de terapia reparativa

Joseph Nicolosi, PH.D.*


* Joseph Nicolosi, Ph. D., foi fundador e diretor clínico da Clínica Psicológica Tomás de Aquino e Co-fundador da Associação Nacional para Pesquisa e Terapia da Homossexualidade. (NARTH)


Trecho do livro Casos de Relatos de Terapia Reparativa: Capítulo Dez

Como funciona a Terapia Reparativa:

Com frequência me perguntam: “Como funciona a terapia reparativa?”. Como todas as formas de tratamento baseadas na psicanálise, a terapia reparativa tem como pressuposto o fato de algumas áreas que deveriam ter se desenvolvido na infância não ocorreram plenamente. Entende-se que, quando o paciente era criança, sentiu que seus pais não o ajudaram nessas fases de desenvolvimento.

Uma das melhores definições de psicoterapia é “a oportunidade de darmos a nós mesmos o que nossos pais não nos deram”. Entretanto, ainda precisamos da ajuda de outras pessoas. A Terapia reparativa requer a implicação ativa de terapeutas homens, amigos homens e membros do grupo de terapia homens.

A premissa básica da Terapia Reparativa é que a maioria dos pacientes (aproximadamente 90%, em minha experiência) padece de uma síndrome de déficit de identidade de gênero masculino. É esse sentido interno de carência de sua própria masculinidade a base essencial para a atração homoerótica. A regra causal da terapia reparativa é: a identidade de gênero determina a orientação sexual.

Erotizamos aquilo com o qual não nos sentimos identificados. O foco do tratamento, portanto, é o desenvolvimento completo da identidade de gênero masculino. A terapia reparativa trabalha sobre assuntos do passado e do presente. O trabalho sobre o passado implica a compreensão das relações com os pais na infância. O paciente, com frequência, dá-se conta de que, enquanto sua mãe pode ter sido muito amável, provavelmente fracassou em ajudá-lo a refletir de forma precisa sua autêntica identidade masculina. A mãe, com frequência, fomentou em seu filho uma falsa identidade, denominada a do “bom menino”, com uma intimidade exagerada e irrealista na qual a mãe é confidente e melhor amiga. O paciente pode ter se identificado, também, com a avó, tias ou irmãs mais velhas.

Ainda que a mãe tenha se implicado mais e com mais frequência, o pai é, frequentemente, de baixa implicação e ausente emocionalmente. Geralmente fracassou em reconhecer ao menino tanto como um indivíduo autônomo quanto como um ser masculino. Foi emocionalmente incapaz de dar a mão ao seu filho para que a relação prosseguisse em seu curso apropriado. O pai ou não era consciente do que estava acontecendo na relação ou era incapaz de fazer alguma coisa para retificá-la. Era, provavelmente, o que eu chamo de “pai condescendente”. A desatenção emocional do pai é uma recordação particularmente dolorosa que se trata na terapia.

Outra área sobre o passado inclui a compreensão das relações dolorosas da infância com seus companheiros do sexo masculino ou com um irmão mais velho dominante. Qualquer experiência homossexual precoce com amigos ou homens mais velhos precisa ser examinada ou interpretada. Não é raro descobrir um caso de abuso sexual na infância do paciente.

O trabalho sobre o presente inclui a compreensão de como o paciente abandonou seu sentido de poder intrínseco. O poder intrínseco é a visão do eu como separado e independente. O fracasso em obter completamente a identidade de gênero sempre tem como consequência uma perda do poder intrínseco. Como dizia um paciente:

- “Quando eu era pequeno, não costumava pedir o que queria. Esperava que os outros soubessem o que queria, de forma que somente esperava”.

- “E se não conseguisse?” Perguntei a ele.

- “Mantinha tudo em segredo. Tenho guardado segredos toda a minha vida. Mantive meu poder secreto”.

- “Que poder?”

- “Meu poder de conseguir o que queria de forma indireta... Sabe, manipulando”.

Na terapia reparativa, é essencial que o paciente compreenda como seu déficit de masculinidade faz com que ele a projete sobre homens idealizados – “o outro homem tem algo de que careço, portanto preciso estar perto dele (sexualmente)”.

A terapia reparativa é de natureza iniciatória. Isso requer não apenas uma reflexão passiva sobre os auto-insights, mas uma iniciação ativa de novos comportamentos. O cliente deve lutar para quebrar antigos padrões de evitação e distanciamento defensivo dos homens, a fim de formar amizades próximas, íntimas e não sexuais masculinas.

A terapia de mudança desafia o paciente a superar as tarefas relacionadas com o gênero perdidas na infância. Seu caminho de desenvolvimento requer a superação dessas tarefas durante a idade adulta.

Ele é chamado para “adquirir” o que o heterossexual alcançou anos antes. Assim, pode chegar eventualmente a ser um heterossexual, mas por um caminho diferente.

Muitos sentimentos precoces pelo pai e outras figuras masculinas significativas serão transferidos sobre os terapeutas homens. A terapia oferecerá uma oportunidade valiosa para trabalhar por meio dessas reações. Os sentimentos projetados sobre o terapeuta podem incluir a antecipação da rejeição e da crítica, uma tendência à dependência – incluindo dependência hostil – e também sentimentos sexuais ou de ira.

Como todas as psicoterapias, a terapia reparativa cria uma transformação de sentido. Essa transformação de sentido é resultado dos benefícios do paciente em introspecção. Quando consegue ver as verdadeiras necessidades que estão por trás de sua conduta não desejada, consegue uma nova compreensão dessa conduta. Suas atrações românticas indesejadas são desmistificadas. Começa a percebê-las como expressões de necessidades legítimas de amor, atenção afeto e aprovação dos homens que não foram satisfeitas na infância. Aprende que essas necessidades podem ser satisfeitas, mas não de forma erótica.

Quando isso é compreendido, tem lugar uma transformação de sentido – “Na verdade, não quero fazer sexo com um homem. Mais que isso, o que realmente desejo é curar minha masculinidade”. Essa cura terá lugar quando forem satisfeitas as necessidades legítimas de amor, atenção, afeto e aprovação dos homens.

A transformação de significado inclui não somente uma compreensão intelectual (introspecção), como também a experiência do eu ao produzir novas condutas.

Quando isso é entendido, há uma transformação de significado - "Eu realmente não quero fazer sexo com um homem. Em vez disso, o que eu realmente desejo é curar minha masculinidade". Essa cura ocorrerá quando as necessidades legítimas de amor da atenção, afeição e aprovação masculinas forem satisfeitas.

A transformação do significado inclui não apenas a compreensão intelectual (insight), mas também a experiência do eu, na realização de novos comportamentos.

A experiência encarnada – ou seja, a experiência do corpo no mundo de uma nova forma – transforma a identidade pessoal. A transformação da identidade pessoal acontece quando se sente diferente sobre si mesmo de forma repetida em relação com os demais. No caso do déficit de gênero e homossexualidade, o aumento da possessão de sua masculinidade faz com que diminua a atração por outros homens. A interiorização gradual do sentido da “masculinidade em mim” afasta as tentações angustiantes antigas.

Faz poucos anos que apareceu a Terapia de Afirmação Gay (GAT) para ajudar os homossexuais a aceitar e afirmar suas orientações sexuais. A GAT presume que os homossexuais que se sentem frustrados seriam felizes se somente pudessem sentir-se livres dos prejuízos interiorizados da sociedade. A GAT vê a terapia reparativa como algo que leva à auto decepção, à culpa e à baixa autoestima. Assume de forma arbitrária que “assumir-se” é a solução dos problemas de todo homossexual.

A terapia reparativa, por outro lado, vê a homossexualidade como um déficit de desenvolvimento. Segundo a teoria reparativa, a Terapia de Afirmação Gay espera que o paciente se identifique com sua patologia, sob o nome de saúde.

William Aaron, em seu livro autobiográfico, Straight, diz: “Persuadir alguém de que haverá uma adaptação factual à sociedade e a si mesmo baixando seu olhar e desenvolvendo algo que despreza interiormente (a homossexualidade) não é a resposta”.

A GAT presume que a homossexualidade é uma variação sexual saudável e natural. Então, procede a atribuir todo o problema pessoal e interpessoal do gay à homofobia social interiorizada. Seu modelo teorético enquadra as experiências da vida do paciente no contexto da vitimização, colocando-o, inevitavelmente, contra a sociedade convencional.

Alguém não poderia evitar perguntar-se como poderia a GAT explicar os benefícios óbvios da terapia reparativa – aumento da autoestima, com diminuição de angústia, ansiedade e depressão. Melhores relações com os demais e liberdade frente às distrações angustiantes são afirmadas de forma geral pelos homens que realizam a terapia reparativa.

De forma interessante, a GAT e a terapia reparativa estão de acordo em relação ao que o homossexual necessita: dar-se permissão a si mesmo para amar outros homens. Mas a GAT trabalha dentro da ideologia gay de erotização dessas relações, enquanto que a terapia reparativa vê o sexo entre homens como sabotador da mutualidade necessária para o crescimento em direção à maturidade. A terapia reparativa libera o homossexual para amar a outros homens – não como companheiros sexuais, mas como iguais, como irmãos.


Terapia em Grupo:

A terapia de grupo representa um especial desafio para cada homem. O grupo deve decidir quem falará, durante quanto tempo, sobre o quê e com que objetivo. Cada homem deve decidir por si mesmo como utilizará a assistência do grupo. Espera-se que cada membro tome a responsabilidade para falar e encontrar um lugar para si mesmo no fluir da expressão verbal.

A terapia de grupo desafia os homens a deixar o velho hábito da escuta passiva. Essa é uma forma eliminada, autocentrada de ouvir que estimula as associações privadas mais que uma resposta ativa à expressão do falante. O hábito da escuta passiva – consequência da exclusão defensiva – perpetua o isolamento emocional.

A escuta ativa, pelo contrário, significa esquecer de si mesmo para manter uma conexão com o falante. O ouvinte ativo sente uma reação interna ao que o outro diz. Pode, então, escolher expressar sua reação em forma de perguntas, comentários ou conselhos. A terapia de grupo oferece aos homens a possibilidade de relacionar-se com outros homens – uma lição nunca aprendida completamente na adolescência. Como me dizia um novo paciente: “Quando era adolescente, não sabia como ser amigo. Se gostava de um garoto, era de forma demasiadamente forte, demasiadamente intensa, de forma possessiva. Hoje, se me encontrasse com um amigo potencial, ainda acabaria fazendo o mesmo. Começo com um ‘vamos jantar, vamos ao cinema (risos), vamos tomar um café?”

A maioria dos pacientes nunca falou abertamente sobre sua sexualidade com outros homens que compartilham sua luta. Essa é uma aventura nova e ameaçadora, mas emocionante. Portanto, todos os pacientes são cautelosos, inclusive temerosos, em sua primeira sessão de grupo. Existe uma sensação de emoção e até mesmo a fantasia de conhecer um homem atraente com quem pudesse manter uma relação íntima, inclusive sexual.

Ainda que as primeiras sessões de grupo se caracterizem por uma curiosidade intensa de um pelos outros, existe também uma grande ansiedade quanto a revelar problemas pessoais. Esses homens não estão orgulhosos de sua orientação sexual e existe uma sensação de vergonha que devem afrontar. Costumam pensar: “queira Deus que não haja ninguém conhecido”, mas, geralmente, essas inquietações retrocedem quando começam a se formar as amizades.

Uma vez parte do grupo, cada homem descobre que este é um lugar para se sentir aceito e compreendido. O grupo é um lugar em que os homens compartilham problemas comuns, ideias difíceis de superar e inspiração.

Como me explicava um homem certa vez: “para mim, participar do grupo foi como pôr um par de óculos quando era míope. Antes, só podia ver imagens e padrões vagos”. Disse-me outro paciente: “Percebi que padecia desse déficit masculino antes de vir aqui. Vim porque sabia que necessitava de ajuda para resolver o que fazer com isso. A razão pela qual não progredi muito antes era que trabalhava em um vazio, sozinho e sem falar com ninguém”.

O modelo básico de nossas discussões em grupo semanais se divide em três níveis de comunicação:

Nível Um: “Sem”.

Nível Dois: “Dentro”.

Nível Três: “Entre”.

O nível Um - É típico da primeira parte de cada sessão de grupo. Tanto na terapia individual quanto na de grupo, serve de conversação segura para entrar no calor. Geralmente, implica em conversa sobre o que aconteceu durante a semana e é uma narração de fatos externos, sem nenhuma consideração de motivações interiores.

O nível 2 - “Dentro”, tem lugar quando duas ou mais pessoas começam a investigar e clarificar as motivações de um membro por trás dos fatos que conta. Existe uma tentativa compartilhada de compreender como se participou ao produzir os fatos que ocorreram.

O nível 3 - “Entre”, é o nível mais terapêutico. É o mais desafiante e arriscado pessoalmente, mas oferece a maior oportunidade para criar a confiança. Ocorre quando pelo menos dois membros do grupo falam sobre suas relações mútuas, enquanto estão acontecendo. Fixar o tempo é algo central para este terceiro nível e os membros devem falar no presente. Quando expressam seus sentimentos positivos e negativos por cada um no momento, descrevem o que estão experimentando. Pode-se necessitar de um tempo considerável para passar ao nível 3 de diálogo direto. Os membros do grupo podem ser feridos facilmente neste nível, evita-se muito a aproximação e ocorrem muitos encontros de culpas. Quando um membro se sente ferido, com frequência toma referências ocultas a suas dúvidas sobre se o grupo o beneficia realmente. Pode ameaçar não voltar na semana seguinte.

Para todos os grupos, o Nível Três é o que mais recompensa. Proporciona a oportunidade de experimentar a reciprocidade, com seu equilíbrio de desafio (“protestos ofegantes”) e apoio (“palmadas nas costas”).

Nas primeiras sessões de um grupo novo, existe uma fase inicial de “encontro de defeitos”. Ocorre certa resistência em identificar-se com o grupo e surgem muitas queixas. “Não são do meu estilo, são velhos demais” ou “jovens demais”, “são muito promíscuos” ou “muito inexperientes”, “muito religiosos” ou “não religiosos o bastante”. Esse encontro de defeitos é um sintoma de exclusão defensiva, perpetuando o que Brad Sargent chama de “unicidade extrema” – por exemplo, a ideia de que “o fato de ser especial torna impossível que os outros homens me compreendam”. Essa fantasia mantém cada homem isolado emocionalmente enquanto está fechado no padrão frustrante de separar os homens em duas categorias diferentes em todas as relações masculinas significativas. Ou menospreza, minimiza, descarta e delega os demais homens a uma posição inferior, ou os eleva, admira e coloca em um pedestal.

O enquadramento dos outros homens nessa escala está determinado pelo “tipo”, a representação simbólica do atributo masculino valorizado que, de forma inconsciente, ele sente que não tem e que o outro homem supostamente possui. Essas qualidades costumam ter pouco a ver com o caráter da pessoa. Uma vez que se desenvolve a familiaridade realista, a pessoa perde seu atrativo erótico.

Em nosso processo de grupo, frequentemente voltamos à distinção entre dois tipos de homens criada por nossos pacientes: ordinários e misteriosos. Os homens misteriosos são os que possuem qualidades masculinas enigmáticas que deixam o paciente perplexo e seduzido. Esses homens são supervalorizados e mesmo idealizados, porque são a encarnação de qualidades que o paciente deseja ter.

Esse padrão de importância da escala, emocionalmente paralisante, sempre se reconstitui no processo do grupo. A obsessão pelo “tipo” é a fonte de muita da ira e do desencanto nas relações homossexuais e explica muita da volatilidade e instabilidade da relação gay.

Além de desvalorizar ou supervalorizar aos demais homens, existe uma terceira forma possível de reação: a reciprocidade. E é nesse sentido que nos esforçamos. Uma relação caracterizada pela reciprocidade tem as qualidades da honestidade, abertura e igualdade. Mesmo onde existe um desequilíbrio de idade, status ou experiência de vida, o compartilhar em profundidade com outro homem serve de igualador. A reciprocidade nas relações é o objetivo da psicoterapia de grupo, porque é nesse nível de interação humana que tem lugar a cura. A reciprocidade cria a abertura pela qual passa a identificação masculina. É o passo pelo qual todo homem encontra a cura.

Um membro do grupo dizia: “Se viesse à terapia com a ideia de que só teria de abster-me do sexo sem nenhuma outra forma nova e positiva de intimidade com outros homens, não creio que tivesse esperança de uma mudança real. Agora aceito minhas necessidades de intimidade real, não de expressão sexual”.

Outro membro do grupo descrevia sua experiência com as palavras: “Meu grupo é a energia masculina de que necessito todos os dias. Tem sido uma experiência poderosa, intensa e enriquecedora. Nosso grupo transformou-se no pai de que todos necessitamos e perdemos em nosso primeiros anos. Existe um poder, uma presença entre nós que nos mantém dando, curando e amando”.

Todo o tratamento deve superar alguma forma de resistência ao crescimento. Podemos dizer, de forma muito simples, que o tratamento da homossexualidade é o desfazer da resistência e da exclusão defensiva dos homens. A terapia de grupo é uma oportunidade poderosa para trabalhar essa exclusão, que é a recusa em identificar-se com a masculinidade.

Há vezes em que parece que todos os membros de nosso grupo estão carregados de energia negativa, como ímãs que se repelem mutuamente. Da mesma forma que existe uma sensibilidade e interesse genuíno mútuos, também há uma precaução crítica que pode paralisar por completo o processo de todo o grupo.

A exclusão defensiva foi descrita anteriormente como o processo bloqueador que impede o vínculo e identificação masculina. ainda que, originalmente, seja uma proteção contra uma ferida infligida pelos homens em sua infância, na idade adulta é uma barreira para a intimidade e reciprocidade honesta com outros homens. O homossexual se atormenta entre dois impulsos que competem: a necessidade natural de satisfazer suas necessidades afetivas com os homens e sua exclusão defensiva, que perpetua o medo e a ira em relação a eles.

As manifestações de exclusão defensiva no grupo aparecem como hostilidade, competitividade, desconfiança e ansiedade sobre a aceitação. Vemos medo, vulnerabilidade, atitude defensiva, fragilidade nas relações e confiança frágil, destruída facilmente pela mais leve incompreensão.

Por outra parte, existe certa resistência a desenvolver uma amizade com homens familiares, não misteriosos – aqueles que não possuem essas qualidades. Os homens ordinários são desvalorizados, às vezes descartados de forma depreciativa. Um paciente descrevia sua percepção dos homens da seguinte forma: “A não ser que me sentisse atraído por um homem concreto, enxergava os homens como esses machos monolíticos, insensíveis, tipos de Neandertal, com os quais não podia me relacionar e aos quais desprezava”. Como consequência desse tipo de percepção errônea, a maioria dos pacientes teve pouca ou nenhuma relação com homens caracterizada pela reciprocidade. Colocando os homens em uma dessas categorias, um paciente justifica sua exclusão. Ou se sente muito inferior ou muito superior para estabelecer a reciprocidade necessária para a amizade.

Essa resistência à amizade com homens não misteriosos é uma razão pela qual, depois do interesse e emoção inicial em conhecer aos demais membros do grupo, o paciente os percebe como “tão fracos quanto eu” e chega a sentir desprezo por eles. Pode sentir-se particularmente desgostoso com os membros “mais fracos” do grupo, ou mais afeminados, mais emocionais, que mostram rasgos de personalidade vulneráveis. É importante que essa resistência seja tratada em uma terapia individual.

A experiência terapêutica essencial é a desmistificação dos homens de objeto sexual para pessoas reais (de Eros a ágape). Separando sua experiência dessas percepções distintas, um paciente de vinte e oito anos dizia:

Imediatamente depois de cada experiência homossexual, eu sentia como se tivesse perdido alguma coisa. A intimidade afetiva que buscava em outro homem não tinha lugar. Fico com o sentimento de que é unicamente sexo o que buscava”.

Isso está em contraste com minha relação com meu amigo heterossexual, Bob. Não sinto a necessidade de ter relações sexuais com ele. Estar tão perto dele, obter tudo o que quero de nossa amizade, mas sem sequer pensar em sexo... Quando me permito ter esses amigos, é muito fortalecedor”.

Ao longo dos meses, o grupo aborda muitos problemas. Muitos desses estão relacionados à auto-afirmação. Muitas vezes os homens relatam uma tendência a "perder" ou comprometer-se pela aprovação masculina. Há uma sensação de vitimização e raiva no que eles tinham que fazer para obter a aceitação do outro. Os homens vêem com que rapidez eles podem se envolver em dependências hostis.

A psicoterapia é um processo que nos permite crescer em direção à integridade. Eu digo ao grupo que, ainda que supostamente o tema principal seja a homossexualidade, o processo subjacente é realmente o universal de iniciação, de crescimento e de mudança.

Os homens se dão conta de que estão destinados a crescer para uma maturidade mais completa, e cada um – heterossexual ou homossexual, paciente ou terapeuta – tem seus próprios obstáculos pessoais a superar, baseados em erros do passado no desenvolvimento emocional. Essas habilidades distintivamente humanas de refletir e de escolher a mudança positiva são verdadeiros milagres da natureza humana.

Perguntam-me com frequência: “Pode um homossexual chegar a ser alguma vez, de verdade, um heterossexual?

Discutindo sua própria cura, Alan Medinger, um líder proeminente do movimento ex-gay, descrevia a seguinte inquietação: “Anos depois de haver deixado para trás virtualmente todas as atrações homossexuais e anos depois de uma maravilhosa e prazerosa vida de relação sexual em meu casamento, um fator continuava me atormentando: se entram em uma sala um homem e uma mulher atraentes, é para o homem que olho primeiro”.

De fato, os críticos da terapia reparativa creem que a fantasia determina a orientação sexual de um homem. Então, se um homem heterossexual tem uma fantasia homossexual, isso faz dele um homossexual? Se alguém tem a fantasia de roubar alguma coisa, isso faz dele um ladrão?

Poderíamos encontrar uma resposta para esta questão da cura no livro do Dr. Salmon Akhtar, Estruturas Abaladas, onde descreve a “parábola dos dois vasos”.

O Dr. Akhtar descreve que ensina um curso sobre a patologia de caráter a uma classe de internos de psicologia clínica. Foi perguntado por um estudante se um paciente perturbado severamente poderia ser curado de forma tão completa pela psicoterapia que se tornasse indistinguível de uma pessoa que sempre esteve bem. Ele respondeu da seguinte forma:

Em silêncio por um momento e depois impulsionado por uma voz interior, alcancei espontaneamente a seguinte resposta. Disse-lhe: bem, suponhamos que existem dois vasos feitos da mais bela porcelana chinesa. Ambos são completamente talhados e de valor, elegância e beleza incomparáveis. Então, sopra um vento e um deles cai de seu lugar e se quebra em pedaços. É chamado, então, um experiente restaurador de uma terra longínqua”. “Cuidadosamente, passo a passo, o restaurador pega as peças. Logo, o vaso quebrado está intacto, novo, pode manter água sem vazar, está intacto para todos os que o veem. Mas este vaso é agora diferente do outro. As linhas que mostram que esteve quebrado, uma sutil recordação do passado, ficarão sempre discerníveis para um olhar experiente. Entretanto, terá certa sabedoria, já que sabe algo que o vaso que não se quebrou não sabe. Sabe o que é quebrar-se e ser consertado”.

Em meu último encontro com um grande investigador, o Dr. Irving Bieber,poucos meses antes de sua morte aos oitenta e dois anos, perguntei a ele: “Os pacientes homossexuais que o senhor tratou mudaram realmente ou simplesmente obtiveram o controle de sua conduta?”

Rapidamente, de forma segura, ele respondeu: “Claro que mudaram! Muitos dos meus pacientes chegaram a ser completamente heterossexuais”.

Continuei: "Mas muitas vezes parece haver alguns pensamentos e sentimentos homoeróticos restantes".

Com a mesma certeza instantânea, ele disse: “Certeza que sim. Pode ser que sempre fiquem”, e deu de ombros.

Desejando não discutir com um velho sábio, mantive-me em silêncio, mas depois pensei: “Como poderia Irving Bieber descrever tão afirmativamente uma contradição tão óbvia?”

Os vasos de Akhtar oferecem uma resposta: “o vaso quebrado está intacto, pode manter água sem vazar, está sem rachaduras para todos os que o veem, mas as linhas que mostram que esteve quebrado deixam uma sutil recordação do passado.”

Posso concluir da parábola de Akhtar que os homens heterossexuais, vasos formados de argila suave, não conhecem o trauma de cair de seus pedestais nem a sabedoria que procede de saber o que é quebrar-se e ser consertado. Para muitos homens, a terapia reparativa é o meio de serem “consertados”.

Para mais informações, visite o site da NARTH, em inglês: www.narth.com.